É a mais recente descoberta do fado: aos 29 anos, Cuca Roseta apresentou ontem, no Jardim de Belém, o seu primeiro disco, homónimo

“Dar aos outros o melhor de mim”

É a mais recente descoberta do fado: aos 29 anos, Cuca Roseta apresentou ontem, no Jardim de Belém, o seu primeiro disco, homónimo

Correio da Manhã – Pertenceu aos Toranja, banda de Tiago Bettencourt, mas acabou por abandoná-la. Já existia a paixão pelo fado?

Cuca Roseta – Cantava nos Toranja como hóbi. Concorri a um concurso de fados com uns amigos e foi quando me apercebi de que gosto mais de cantar esta música, que conhecia apenas de ouvir nas casas de fado. A partir daí, saí dos Toranja e passei a dedicar-me ao fado. E fui sempre evoluindo.

– Não se vê a deixar o fado e a partir para outro género musical?

– Nem pensar. Adoro música de todo o género mas não faria delas a minha vida. Só do fado.

– O que é o fado para si?

– Fado é a verdade de cada pessoa. Há sempre uma verdade das emoções transmitida pela voz.

– Amália ou Mariza?

– Amália, sem dúvida.

– Sente que se distingue dos outros fadistas que pertencem a esta nova geração que tem vindo a emergir?

– Sinto que tenho algo que me distingue. Como o fado é a verdade, não há nenhum fadista igual. Todos podem trazer algo de maravilhoso e diferente porque somos todos iguais, temos todos uma alma, mas somos, também, todos diferentes.

– Por ter sido um argentino (Gustavo Santaolalla) a descobri-la, acha que o fado está a ganhar força lá fora?

– Muita. O fado está a conquistar o Mundo. Vê-se pela Mariza, pela Cristina Branco. Embora o fado seja português, na Argentina existe o tango. A linguagem é muito parecida e o Gustavo entendeu muito bem a sua emoção. “Só tens de ser tu própria. Aí já há alguma coisa de novo”, era o que ele dizia.

– Baseando-me na ‘Rua do Capelão’, tem o destino marcado? Sabe o que será o futuro?

– O meu destino é aquilo que eu dizia: cumprir a minha missão enquanto ser humano, dar aos outros o melhor de mim, o que me foi dado como um dom, da melhor forma possível.

PERFIL

Isabel (Cuca) Roseta tem 29 anos, é formada em Psicologia e vive em S. João do Estoril. Estreou-se no fado pela mão de João Braga e foi uma das fadistas convidadas para cantar para Bento XVI na sua passagem por Lisboa.

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